domingo, 22 de maio de 2011

Portugal numa caixinha

No outro dia recebi uma pequena caixa de plástico. O que trazia lá dentro? Nada mais nada menos que umas pequenas maravilhas gastronómicas do nosso querido país. Ah, há quanto tempo que não comia um pastel de nata! Tivemos também direito a uma ferradura, pastel de amêndoa e um "beijinho" das Caldas. Pequenas iguarias, trazidas numa caixinha, mas capazes de despertar a saudade do nosso País. 
Com esta caixinha, gerou-se uma pergunta engraçada. Se um dia partires para o estrangeiro, e te derem uma caixinha (mais ou menos com 400 ml), o que é que punhas lá dentro para te lembrares do teu país?
Algumas das ideias que surgiram: tubo de ensaio com água do mar, pastel de nata, uma rolha, areia, esteva, queijada de sintra. No final, e porque a política nestes dias está a dar-nos em doidos, a caixa teria de ficar bem fechada, para não deixar o Sócrates entrar.





segunda-feira, 11 de abril de 2011

Com que direito a vida nos é roubada aos 23 anos de idade?

Quando pensamos que tudo está bem, quando nos encontramos simplesmente a desfrutar dos prazeres da vida, somos subitamente acordados para o que a vida tem de mais cruel, a perda. Num piscar de olhos, vidas são-nos roubadas, amigos perdidos que, agora, só a memória nos permite conservar e recordar. 

Não é difícil recordar a última vez que estivemos juntas. Estavamos as 4, Rita, Vânia, eu, e.... tu, a desfrutar da companhia umas das outras e a pensar no que seria o nosso futuro. Nenhuma de nós parecia parada no tempo, todas com planos, ideias, sonhos. Ontem, hoje e amanhã choramos de tristeza por não puderes fazer parte do nosso futuro, das nossas alegrias e tristezas, mas acima de tudo por o teu futuro te ter sido roubado.

Descansa em paz Mantorras (esse teu joelho nunca me enganou).

Um zero 
(como só tu me tratavas)
Quando tudo começou...


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Lesma em forma

Burocracia, direcções erradas, para aqui, para ali, para acolá, tamanha confusão só para obter um atestado médico. Isto porque, as tentações, culinárias, em Itália, são muitas e não há quem resista. É que são "pasticiotti" ( o bolo tradicional aqui em Lecce), os belos dos cornetto (não, não são os gelados da olá, mas sim uns belos croissant) de Nutella - aqui a Nutella é rainha-, de "crema", já para não falar das belas das "pasta" e do que ainda está para vir, os belos dos "gelati". Por isso, há que queimar hoje, para acrescentar amanhã.
Arranjar um atestado médico revelou-se uma autêntica aventura. Primeira paragem, Hospital de Lecce (pensei que seria o único, enganei-me), após uma interminável viagem de autocarro (50 min). Pergunto-me porque é que os autocarros que vão para os hospitais, são sempre aqueles que mais voltas dão pelo centro da cidade?! Claro está, hospital errado. Após uma demorada "conversa" com estudantes e enfermeiras da ala universitária do hospital, encaminharam-nos (a mim e à Sara) para outro hospital, desta feita, o Hospital velho. Esse ficou apenas para o dia seguinte. A aventura começou bem cedo no dia seguinte, pelas 9 da manhã já andavamos a palmilhar as ruas de Lecce em busca do dito hospital. Claro está, ainda não era bem ali que nos podiam ajudar. Para termos um atestado, aparentemente teríamos de arranjar um médico de família, pelo que mais uma vez nos tivemos de deslocar para outro edifício. Novo local, imensa gente à nossa frente na fila. Com o poder que nos é concedido por sermos estudantes Erasmus, lá conseguimos passar à frente e que nos fosse explicado que afinal, bastava o cartão europeu de saúde para arranjarmos um médico. Ora bem, mas onde raio fica o centro de saúde? Não existe. Aqui o sistema é diferente, existe uma lista de médicos que dão consultas num consultório próprio, e estes estão espalhados pelas várias ruas da cidade. Escolhemos os médicos das ruas que conhecemos e lá partimos novamente à aventura. Ou não nos abriram a porta, ou só davam consultas de tarde, ou não faziam atestados médicos (mas que raio!), enfim, não foi tarefa fácil, mas após duas horas e meia de "passeio" por Lecce, encontramos um médico.
O mínimo que se pode esperar quando pedimos um atestado é que nos meçam a tensão, nos auscultem, coisas básicas. Errado! Tanto trabalho, para o médico apenas perguntar: "Tem alguma doença, já praticou algum desporto?" E pronto, dê cá os 20 euros (já com desconto), e leve lá o papel.

Temos muito a mania de dizer que em Portugal somos muito complicados, sempre com vários problemas burocráticos. Não fica longe da verdade o nosso pensamento, mas a verdade é que em Portugal, para a simples ginástica que vou fazer e para aprender a dança típica, Pizzica, bastaria assinar um termo de responsabilidade. Isto de ir para fora, faz-nos pensar nas coisas boas do país onde nascemos.

A vossa lesma

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Lesma lecciana

Embora 8h e 15 minutos num comboio possa parecer uma tortura, acabou por não ser mau de todo. Grande parte do tempo foi passado a dormir até ser acordada pelo bater na porta e o primeiro "buongiorno" dos próximos seis meses. Até me trouxeram o jornal e tudo! Foi o acordar para uma nova realidade, uma nova cidade, um novo capítulo da vida da lesma. Os últimos minutos no comboio foram feitos com a ansiedade de quem não sabe o que vai encontrar.
A primeira impressão foi.... cheiro a estrume. Fiquei mais aliviada quando a Sara me comunicou não ser muito normal (ela só estava em Lecce há apenas dois dias, por isso, logo se vê).
No geral, assim à primeira vista a cidade é bastante bonita, diferente de tudo o que já vi, contrastando espaços amplos com ruas labirínticas.
Agora é altura de ambientar-me ao estilo de vida italiano (o que julgo não ser difícil), e desfrutar de mais uma aventura.
Os meus poderes de detective já estão em acção (sim, queridas meninas, não me esqueci de vocês).

A vossa lesma lecciana!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O adeus da lesma.... à neve!

Aeroporto de Vilnius, -8 ºC lá fora. Acabo de gastar as minhas últimas Litas, acabaram-se as compras com a calculadora na mão e a moeda baratinha. Regresso à realidade durante cerca de 17 dias, preparada para restabelecer as emoções e (re)encontrar família e amigos. As saudades de Klaipéda, essas, são já muitas. Momentos vividos, mas que nunca mais serão esquecidos. Pessoas deixadas para trás, quem sabe se um dia as voltarei a ver. Uma família klaipediana separada pelo tempo e pelo futuro de cada um.

Embora seja duro partir, devo admitir que foi sem dúvida uma das melhores experiências da minha vida, inesquecível, daquelas que nunca me cansarei de relembrar com lágrimas nos olhos, seja por chorar de emoção, seja por chorar a rir. 

Entretanto venha o Natal e o Ano Novo. Ah, Ano Novo, venha Itália a seguir.
Uma rosa para cada princesa.
Até ao fim...
Não são preciso laços de sangue para se ter uma família fabulosa
A última foto.... 


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O desabafo da lesma

São os últimos dias na Lituânia, e por muito esforço que fizesse seria impossível escrever sobre tudo aquilo que vivi neste país. Tempo para escrever não me falta, o pior é passar para o "papel" aquilo que me vai na alma. Viagens que fiz, pessoas que conheci, tudo é difícil descrever. A beleza das coisas que vivi ficará para sempre no meu coração, no meu pensamento. As memórias, essas, podem suavizar com os anos, mas certamente lembrar-me de apenas um detalhe vai despertar um conjunto de emoções, aquele arrepio na espinha que nos faz vibrar. Se valeu a pena viajar tantos quilómetros, estar longe da realidade portuguesa? Sem dúvida. Viajar devia ser um direito adquirido quando nascemos.

Neve, neve, neve. Sim, aqui não pára de nevar. Se algum dia ficarei farta? Naaaaa, não me parece. Lutas de bolas de neve, ficar enterrada até aos joelhos, escorregar quando a neve se transforma em gelo, sentir um floco de neve derreter nas nossas bochechas, fazer bonecos de neve, são algumas das coisas que a Lituânia me tem proporcionado nas últimas semanas. Também nunca pensei ter a oportunidade de dar um belo passeio na praia de Inverno, e caminhar sobre a neve. Foi um dos cenários mais bonitos que vi.

O tempo passa depressa, as despedidas serão difíceis, mas enfim, faz tudo parte da vida. Pessoas vêm, pessoas vão mas ficam para sempre no nosso coração.

domingo, 21 de novembro de 2010

A lesma e os outros destemidos

Quando se vai de Erasmus acabamos por conhecer muita gente nova (sim, mesmo aqui neste cantinho distante, chamado Klaipéda). Pessoas de diferentes culturas, com diferentes objectivos mas iguais a nós na vontade de viver a vida ao máximo, aproveitar o que a vida tem para oferecer. Não só a minha família klaipediana se destaca no excelente ambiente que se vive nesta cidade, outros, também conhecidos como família do dormitório, merecem destaque, por todos os bons momentos que proporcionam. 
Pedro (Espanha) e Lena (Alemanha)
Moises (Espanha), Pedro e Dorien
Pierre (França), Pedro, Dorien, Gerald, lesma
É assim que a nossa casa fica quando temos visitas.